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domingo, 15 de abril de 2018

The Film Handbook#164: Budd Boetticher

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Budd Boetticher
Nascimento: 29/07/1916, Chicago, Illinois, EUA
Morte: 29/11/2001, Ramona, Califórnia, EUA
Carreira (como diretor): 1942-1985

Apesar dos filmes de Oscar Boetticher Jr. (conhecido familiarmente como Budd) nunca tenham ido além do nível das produções B, junto ao ator Randolph Scott, do produtor Harry Joe Brown e do roteirista Burt Kennedy, realizou alguns dos mais criativos e perfeitamente realizados westerns jamais filmados.

Renunciando a uma carreira no futebol, o jovem Boetticher foi ao México para se tornar um toureador profissional, antes servindo como consultor em Sangue e Areia/Blood and Sand, de Mamoulian. Ele então progrediu de assistente a diretor de thrillers e westerns de baixo orçamento, ainda que com exceção de dois - Paixão de Toureiro/Bullfighter and the Lady e O Magnífico Matador/The Magnificent Matador - a maior parte de seus primeiros filmes tenha sido meramente rotineira. Somente em meados dos anos 50 foi que seu talento para o forte drama, tingido com um sombrio e mesmo cômico senso de ironia, floresceu.

Um primeiro western realizado com Kennedy e Scott, 7 Homens Sem Destino/7 Men from Now foi fundamental para estabelecer a persona de Scott enquanto um solitário, agora obcecadamente determinado a provocar vingança do assassinato de sua mulher. Mais sutil, no entanto, foi O Resgate do Bandoleiro/The Tall T>1 que trabalhou maravilhosamente somente com uma cabana no deserto e um punhado de atores, enquanto Scott embarcava em uma batalha de morte com o líder da gangue, Richard Boone - sendo ameaçadas as vidas dos hóspedes que se mantém na estação da diligência. O conflito, caracteristicamente ambientado em uma paisagem estéril e miserável que reflete a árida auto-confiança do herói, tomou partido de sua austeridade pessimisticamente mítica, enquanto as habilidosas caracterizações (o solitário e saudoso Boone é talvez mais verdadeiramente humano que Scott) acrescentavam complexidades psicológicas e morais que transcendiam as convenções do western B.

Em Fibra de Heróis/Buchanan Rides Alone>2 o gosto de Boetticher pelo absurdo produziu um western no limite da paródia; a cidade corrupta no qual o inocente Scott meramente vagueia o confunde, enquanto seus inimigos (três irmãos) estão demasiado ocupados enganando a si próprios para lhe provocarem muito risco. Traição e blefe formam o âmago do universo de Boetticher. Tanto em O Homem que Luta Só/Ride Lonesome>3 quanto em Calvagada Trágica/Comanche Station>4 os vilões, mais uma vez simpáticos, sempre alardeiam como irão enganar Scott  fora de seu deserto, enquanto ele, por sua vez, encobre seu orgulho e seus planos de vingança por trás da máscara de jogador de pôquer.

Boetticher observava seus heróis, presos ao passado e condenados a vagar, com não menos sentimentalidade que seus foras da lei, que tentam, frequentemente de forma desesperada, esquecer seus modos criminosos e se estabelecerem em um local. Em seu mais sombrio filme de todos, O Rei dos Facínoras/The Rise and Fall of Legs Diamond>5,  o cáustico sol do deserto é substituído por um pesadelo urbano sombrio e claustrofóbico. O trapaceiro psicopático de Boetticher, interpretado com implacável energia por Ray Danton, é uma figura completamente amoral, cuja sede de poder leva-o a destruir mesmo seu irmão para se proteger. Rápido, cruel e violento, o filme é uma das mais pessimistas visões do cinema da ambição desenfreada.

Cansado de Hollywood, Boetticher retornou ao México onde, por quase uma década, trabalhou em um documentário sobre o toureiro Carlos Arruza. Em 1969, tendo sofrido vários revéses, finalmente retornou aos Estados Unidos, onde escreveu um roteiro original para Os Abutres Têm Fome/Two Mules for Sister Sara, de Don Siegel e dirigiu um último western, Gatilhos da Violência/A Time for Dying.

O forte de Boetticher durante seu período mais fértil reside não em se chocar com o gênero western, mas em trabalhar de forma inteligente e altamente pessoal variações em um tema simples e repetido. Raramente as limitações das produções de baixo orçamento, com seus pequenos elencos, roteiros concisos e fortes exteriores renderam resultado de tal consistência.

Cronologia
Os filmes de Boetticher  evitam a poesia de Ford, seus cenários melancólicos, violência e personagens condenados antecipam a obra de Peckinpah e Leone. De forma interessante, Burt Kennedy se tornaria um diretor regular de westerns nos anos 60, ainda que seus roteiros tensos para Boetticher foram substituídos por um humor compassado e leve. Diretores menores de western dos anos 50 incluem André De Toth, Delmer Daves e o mais conhecido John Sturges.

Destaques
1. O Resgate do Bandoleiro, EUA, 1957 c/Randolph Scott, Richard Boone, Maureen O'Sullivan

2. Fibra de Heróis, EUA, 1958 c/Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley

3. O Homem que Luta Só, EUA, 1959 c/Randolph Scott, Karen Steele, Pernell Roberts

4. Cavalgada Trágica, EUA, 1960 c/Randolph Scott, Claude Akins, Nancy Gates

5. O Rei dos Facínoras, EUA, 1960 c/Ray Danton, Karen Steele, Warren Oates

Leituras Futuras
Horizons West (Londres, 1969), de Jim Kitses

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 28-9.

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