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sábado, 14 de abril de 2018

Filme do Dia: Os Irmãos da Família Toda (1941), Yasujirô Ozu


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Os Irmãos da Família Toda (Todake no kyodai ,  Japão,  1941). Direção: Yasujiro Ozu. Rot. Original: Yasujiro Ozo & Tadao Ikeda. Fotografia: Yuuharu Atsuta. Música: Senji Itô. Com: Mieko Takamine, Shin Saburi, Hideo Fujino, Ayako Katsuragi, Mitsuko Yoshikawa, Masao Hayama, Tatsuo Saito, Kuniko Miyake, Michiko Kuwano, Choko Iida.
Após uma reunião familiar que resulta pouco depois na morte do seu patriarca (Fujino), a próspera família Toda se vê envolvida em uma relativa dificuldade financeira. Enquanto o filho mais jovem e considerado a “ovelha negra” da família, Shojiro (Saburi), decide ir trabalhar na China, a mulher mais jovem, Setsuko (Takamine) decide ir morar com a mãe (Katsuragi), na casa do irmão mais velho, Shinichiro (Saito), por conta da mansão ter sido vendida como pagamento das dívidas deixadas pelo falecido. Em pouco tempo, tensões surgem, e Setsuko e mãe vão morar somente com a fiel criada (Iida) em uma humilde residência. Quando o filho retorna da China para a cerimônia de um ano do falecimento do pai, ele destrata toda a família por terem deixado que a mãe vivesse em tal local, a convidando, juntamente com Setsuko, a criada e o pássaro de estimação a viverem junto a ele na China, dispensando  a noiva que Setsuko lhe arranjou, Tokiko (Kuwano).
Essa fábula, que muitos acreditam ter uma forte dimensão autobiográfica (Ozu jamais casou e viveu com sua mãe boa parte da vida), é marcante não apenas pela habitual elegância “excêntrica” como os planos são dispostos como – e fundamentalmente em conseqüência dessa estratégia visual – pela contenção habitual, inclusive nos momentos de maior tensão, tendo como exemplo  a nora da Sra. Toda pedindo que ela fique afastada do neto, por ter criado uma cumplicidade com ele, ao ponto de acatar o pedido dela para não informar a mãe que houvera faltado a escola ou ainda na rusga final de Shojiro contra o restante da família. É evidente a simpatia que Ozu nutre pelos dois personagens mais jovens, solitários, frágeis e não participantes ainda de suas próprias vidas familiares como os outros filhos. Porém, é em meio a tudo isso que a voz de Shojiro vem demarcar sua bravura moral com relação a mãe renegada a um certo ostracismo na última fase da vida. Fundamental para o efeito agridoce que tende a se intensificar quanto mais o filme avança – e que certamente influenciou bastante cineastas, como o Edward Yang de As Coisas Simples da Vida (2000) – é o brilhante e afinado elenco, com destaque para Katsuragi, Saburi, Takamine e também para o ator que encarna o neto. O fato do ambiente familiar pertencer a uma família bem mais rica do que os personagens habituais, mesmo que enfrentando uma situação posterior de decadência talvez se encontre envolvido com as pressões políticas e morais impostas por um regime autoritário. Shochiko Eiga. 105 minutos.


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