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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Filme do Dia: As 7 Máscaras da Morte (1973), Douglas Hickox


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As 7 Máscaras da Morte (The Theatre of Blood, Reino Unido, 1973). Direção: Douglas Hickox. Rot. Original: Anthony Greville-Bell, a partir do argumento de Stanley Mann & John Kohn. Fotografia: Wolfgang Suschitzky. Música: Michael J. Lewis. Montagem: Malcolm Cooke. Dir. de arte: Michael Seymour. Cenografia: Ann Mollo. Figurinos: Michael Baldwin. Com: Vincent Price, Diana Rigg, Ian Hendry, Harry Andrews, Milo O’Shea, Dennis Price, Robert Morley, Michael Hordern, Jack Hawkins, Arthur Lowe, Diana Dors.
Edward Lionheart após um suposto suicídio diante do círculo de críticos que desprezara sua arte e de sua filha, Edwina (Rigg), planeja a morte de todos eles, com requintes de crueldade. Mesmo com a polícia em seu encalço, na figura do Inspetor Boot (O’Shea) ele consegue realizar todos os crimes, menos o de Devlin (Hendry), a quem tivera chance de matar anteriormente, mas apenas ferira. Quando não mata diretamente, provoca a situação para que a vítima assassine a sua companheira (Dors), acreditando estar sendo traído e sendo preso pelo crime.
É verdade que essa produção não se afasta tanto assim da decadência em que se transformou o horror britânico em seu tempo, algo distante dos primeiros filmes produzidos pela Hammer. Visualmente, na verdade, o filme poderia ser pensado como um meio termo entre essas produções e o Frenesi (1972), de Hitchcock. Dito isso, o filme se torna pouco interessante se observado por alguém que busque a menor verossimilitude: como acreditar que os mendigos seriam levados com tanta facilidade assim pelo ímpeto assassino de Price? Aliás, os próprios mendigos são uma risível caricatura que nem mesmo a adaptação mais vulgar de Dickens ousaria traçar. Ou ainda que tudo o que fora pensado pela mente maligna de Lionheart, inspirado no Velho Bardo, funcionaria sem que o menor imprevisto ocorra? Porém, se o pensarmos como uma fábula delirante a la grand guignol sobre as relações nem sempre amigáveis  entre a crítica e os artistas que remetem ao próprio gênero horror e, evidentemente, à figura de Price, resta algum charme em meio a tantos clichês caricatos. Este, aliás, capricha no exagero próximo do teatral, não apenas quando forja seus “assassinatos dramáticos”, mas também quando se encontra com o círculo de críticos, numa explícita falta de limites entre a vida e a encenação, exagero esse comentado pelo próprio personagem de Devlin ao final. Destaque para sua bela abertura, com créditos se justapondo ao quadro elisabetano Young Men Around Roses, assim como  cenas de versões shakespearianas do cinema mudo de Ricardo III  (1911), Hamlet (1913) e Othello (1922) e se mesclando ao apropriado tema musical utilizado. Harbour Prod. Ltd/Cineman Films para United Artists. 104 minutos.

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